Um levantamento produzido por estudantes do Colégio FAAT, em Atibaia, identificou que 28,8% dos jovens que responderam à pergunta sobre experimentação já haviam utilizado cigarro eletrônico ao menos uma vez. A pesquisa também aponta amigos, festas, internet e redes sociais entre os principais elementos associados ao contato de adolescentes com os chamados vapes.
O estudo foi desenvolvido entre setembro e outubro de 2026 pelas estudantes:
- Giovana Maesta Blanco Silverio;
- Luiza Farnezi Carvalho;
- Maria Clara Cardoso;
- Maria Eduarda Paiva Faustino;
- Rafaella Tolentino Santos;
- e contou com orientação de Rodrigo Caccere e coorientação de Leandro Machado Grunwald. O trabalho recebeu o Prêmio Destaque Ensino Médio da instituição.
A iniciativa das estudantes foi analisar como outros jovens de diversas escolas do Ensino Médio de Atibaia, entre públicas e privadas, entram em contato com informações sobre cigarros eletrônicos, avaliam os riscos relacionados aos dispositivos e percebem as formas de consumo e acesso entre jovens.
O levantamento utilizou um questionário on-line, e a quantidade de participantes variou conforme cada pergunta, onde os itens referentes ao perfil chegaram a 90 respostas, enquanto os demais blocos tiveram entre 52 e 73 respondentes.
Maria Clara Cardoso, de 16 anos e estudante do 1º ano, afirmou que a escolha do assunto partiu da presença do cigarro eletrônico no cotidiano juvenil e da necessidade de esclarecer diferenças em relação ao cigarro convencional.
“É um tema super relevante, especialmente nessa feira, onde vêm muitos jovens que podem fazer o uso do cigarro eletrônico. Achamos legal porque as pessoas não têm a noção da diferença entre o cigarro comum e o eletrônico”, disse.
Os resultados locais encontram um cenário de experimentação que também aparece em dados nacionais apresentados no material. Segundo a Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSE) 2024, 29,6% dos estudantes de escolas públicas e particulares entre 13 e 17 anos já experimentaram cigarro eletrônico. Entre as meninas, o percentual foi de 31,7%, ante 27,4% entre os meninos. A pesquisa também apontou que 26,3% haviam utilizado o produto nos 30 dias anteriores ao levantamento.
No mesmo período analisado pela PeNSE, houve redução no consumo de cigarro convencional, bebidas alcoólicas e drogas ilícitas entre 2019 e 2024.
Redes sociais e internet concentram informações sobre cigarros eletrônicos
Entre os estudantes que responderam sobre onde obtêm informações a respeito dos vapes, 63,5% mencionaram as redes sociais. O mesmo percentual indicou internet, sites e notícias. Amigos e colegas foram citados por 55,8%, enquanto 46,2% apontaram a escola e 32,7%, profissionais da saúde.
A exposição a publicações relacionadas aos dispositivos também apareceu de forma recorrente. Dos alunos participantes desse bloco, 69,2% afirmaram já ter encontrado vídeos ou outros conteúdos sobre cigarros eletrônicos algumas vezes, e 17,3% disseram ter contato frequente com esse material.
O teor das publicações apresentou uma ambivalência. Ao mesmo tempo em que 61,5% dos estudantes relataram ter visto conteúdos sobre riscos à saúde, outros 46,2% afirmaram ter encontrado materiais nos quais o cigarro eletrônico era apresentado como algo “legal, divertido ou descolado”.
Rodrigo Caccere, professor de Biologia e orientador do projeto, avaliou que a elaboração do levantamento e a organização dos resultados aproximaram as estudantes de uma experiência de iniciação científica. Bacharel e licenciado em Ciências, mestre em Biologia Celular, especialista em Educação Ambiental e com MBA em Gestão Escolar, ele destacou a pertinência do recorte para o público pesquisado.
“O levantamento dos dados e o desenvolvimento dos gráficos, por exemplo, estão no âmbito de uma iniciação científica, com a busca de conhecimento embasado. O tema é relevante, atinge os jovens. O recorte traz dados interessantes e importantes próximos à realidade nacional”, afirmou.
Pressão social e curiosidade aparecem entre os fatores para experimentação
A influência do ambiente social foi um dos pontos de maior destaque do levantamento. Entre 52 participantes, 94,2% apontaram a moda ou a vontade de pertencer a determinado grupo como fatores que podem levar jovens a experimentar cigarros eletrônicos.
A curiosidade apareceu em 61,5% das respostas. O uso associado ao alívio de estresse ou ansiedade foi citado por 38,5%, enquanto 32,7% mencionaram as redes sociais.
A percepção sobre os riscos, contudo, mostrou-se elevada. Entre os 52 estudantes que responderam à questão sobre dependência, todos consideraram muito possível que o cigarro eletrônico cause dependência. Em outra pergunta, com 67 respostas, 74,6% avaliaram que os dispositivos provocam mais danos do que o cigarro convencional.
Entre 66 participantes questionados sobre possíveis consequências à saúde, 97% mencionaram problemas respiratórios e pulmonares. A dependência foi citada por 89,4%, os possíveis prejuízos ao cérebro em desenvolvimento por 72,7% e problemas relacionados ao coração e à circulação por 65,2%.
Amigos e festas aparecem como vias de acesso aos dispositivos
A pesquisa também buscou identificar como os adolescentes percebem o acesso de jovens da mesma faixa etária aos cigarros eletrônicos. Entre 67 respondentes, 77,6% indicaram os amigos como uma das formas de obtenção dos dispositivos.
As festas foram mencionadas por 58,2%, enquanto 55,2% apontaram compras pela internet e 40,3% citaram lojas.
Entre os estudantes que informaram situações nas quais ocorre o consumo, festas e encontros com amigos apareceram com maior frequência. Nos sabores experimentados, as opções frutadas foram as mais mencionadas, seguidas pelas versões de menta ou gelo.
A pesquisa separou os resultados em blocos sobre perfil dos participantes, fontes de informação, percepção de risco, experimentação e formas de acesso aos dispositivos.







