Publicidade
Início Justiça Moraes diz que combate ao crime organizado não depende apenas de penas...

Moraes diz que combate ao crime organizado não depende apenas de penas maiores

Declaração ocorreu durante audiência pública do STF que discute a Lei Antifacção, alvo de quatro ações de inconstitucionalidade.

0
FOTO: VALTER CAMPANATO
Publicidade

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), afirmou nesta segunda-feira (24) que o combate ao crime organizado não pode ser baseado apenas no aumento das penas para criminosos.

Moraes participou da abertura de uma audiência pública convocada pelo STF para discutir a Lei 15.358/2026, conhecida como Lei Antifacção, que estabelece um novo marco legal para o enfrentamento do crime organizado. O ministro é relator de quatro ações diretas de inconstitucionalidade que questionam dispositivos da norma.

Na avaliação do ministro, o enfrentamento das organizações criminosas exige atuação conjunta do Poder Judiciário, Ministério Público, Defensoria Pública e das polícias, além de medidas voltadas à redução da impunidade.

“Se aumentar a pena resolvesse, bastava colocar pena de 100 anos para todos os crimes. Ninguém iria cometer crime. Não adianta”, afirmou Moraes durante a audiência.

Segundo o ministro, as organizações criminosas não estariam necessariamente preocupadas com o tamanho das penas, mas com a possibilidade de serem responsabilizadas. “O crime organizado não está preocupado com o tamanho da pena. Está preocupado com a impunidade”, declarou.

Moraes também abordou a questão das prisões provisórias. Segundo ele, cerca de um terço das pessoas presas provisoriamente cometeu crimes sem violência. Para o ministro, as medidas de prisão devem considerar a gravidade das condutas.

“O Brasil prende muito e prende mal. É a legislação. Não é culpa da polícia, do Ministério Público, da Defensoria, do Judiciário”, afirmou.

Audiência pública

A audiência pública foi convocada para reunir informações técnicas, jurídicas e institucionais que possam subsidiar a análise das ações que questionam a Lei 15.358/2026. O STF informou que 48 expositores participam do debate, entre autoridades, especialistas e representantes da sociedade civil.

A audiência começou nesta segunda-feira (24) e terá continuidade nesta terça-feira (25). As manifestações dos participantes serão consideradas no julgamento das ações de inconstitucionalidade relacionadas à lei.