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Ciclista atropelado e morto em Bom Jesus dos Perdões teve B.O. registrado 4 dias após o acidente; motorista segue sem identificação

José de Souza Cardoso, 59, morreu no Hospital Universitário São Francisco sete dias depois do atropelamento; família suspeita de omissão do poder público municipal

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Um ciclista de 59 anos morreu após sofrer ferimentos em um suposto acidente registrado na Avenida Tiradentes, em Bom Jesus dos Perdões (SP), na noite de 23 de maio de 2026. Embora a vítima tenha sido socorrida, não resistiu às lesões. O boletim de ocorrência (B.O.) foi registrado apenas quatro dias após o fato. 

José de Souza Cardoso, conhecido como “Gê do Espetinho”, natural de Piracaia, foi socorrido pelo SAMU em estado gravíssimo. Segundo informações obtidas pela redação, José estava inconsciente, com traumatismo craniano e múltiplas fraturas. Segundo relatos do B.O., o suposto acidente teria ocorrido em frente ao Ginásio Municipal da cidade em um sábado, durante as festividades de aniversário da cidade. A vítima foi transferida ao Hospital Universitário São Francisco (HUSF), em Bragança Paulista, mas não resistiu e morreu sete dias após o acidente.

Segundo o inquérito policial obtido pela redação do Mais Bragança, a investigação não conseguiu identificar o responsável pelo ocorrido nem localizar o veículo que supostamente teria se envolvido no acidente. Diante da ausência de elementos conclusivos, outras hipóteses para a morte de José permaneceram em aberto ao longo da apuração.

As imagens de câmeras de segurança da avenida registram um carro preto trafegando no local momentos antes do acidente, mas sem qualidade suficiente para identificação. Nas câmeras de segurança é possível ver os pertences da vítima sendo levados ao ginásio municipal por populares que estavam no local. 

A suspeita de omissão

O advogado criminalista da família, Cléber Gerage, ingressou com pedido na Justiça para que sejam determinadas diligências adicionais, incluindo a investigação de eventual omissão de agentes públicos municipais. Segundo a defesa, o intervalo entre o fato e o registro formal da ocorrência é um dos pontos centrais contestados pela família. O B.O. foi redigido somente na quarta-feira seguinte ao acidente. 

A família questiona por que a polícia não foi acionada no momento do acidente, por que os pertences de José desapareceram do local onde foi deixado e retornaram apenas quatro dias depois — segundo a família, por intermédio de pessoas ligadas à prefeitura —, e por que o B.O. foi lavrado com tamanho atraso.

Em publicação nas redes sociais, o advogado afirmou que José foi “criminosamente assassinado” e que a família exige respostas.

“Precisamos entender todo esse contexto, quem está por trás do crime, e por que agentes públicos municipais deixaram de comunicar a polícia no momento que encontraram o Gê agonizando no local? Por que o B.O. foi registrado quatro dias depois, justamente na época em que ocorreram as festas da cidade”, questionou.

Gerage finalizou afirmando que “iremos cobrar em nome da família as respostas, e entender até que ponto a cidade de Bom Jesus dos Perdões tem responsabilidade nisso”.

O autor do atropelamento segue não identificado. A prefeitura de Bom Jesus dos Perdões não se manifestou até o fechamento desta matéria.