O presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, criticou nesta sexta-feira (30) manifestações de autoridades dos Estados Unidos relacionadas à classificação de facções criminosas brasileiras como organizações terroristas e defendeu o respeito à soberania nacional.
As declarações foram feitas durante visita à Fábrica de Fertilizantes Nitrogenados de Sergipe (Fafen-SE), no município de Laranjeiras, em Sergipe.
Ao comentar o tema, Lula afirmou que organizações como o Comando Vermelho (CV) e o Primeiro Comando da Capital (PCC) representam uma ameaça à população brasileira, mas argumentou que o enfrentamento dessas facções deve ser conduzido pelas instituições do próprio país.
“Comando Vermelho e PCC são terroristas para as comunidades brasileiras, para a sociedade brasileira e para o povo da periferia”, afirmou o presidente ao defender as ações de combate ao crime organizado realizadas no país.
Lula também destacou que o Brasil possui legislação voltada ao enfrentamento das organizações criminosas e mencionou medidas aprovadas para fortalecer o combate às facções.
Durante o discurso, o presidente criticou a possibilidade de interferência estrangeira em assuntos relacionados à segurança pública brasileira e afirmou que o país deve ser tratado com respeito nas relações internacionais.
“Não aceitamos ser tratados como moleques. Não aceitamos ser tratados como se fôssemos uma republiqueta”, declarou.
Recursos naturais e soberania
Lula também demonstrou preocupação com o interesse internacional em recursos naturais brasileiros, citando minerais estratégicos, terras raras, reservas de ouro, diamantes, água doce e a Amazônia.
Segundo o presidente, a defesa da soberania nacional deve permanecer como prioridade nas relações com outros países.
Ao abordar o relacionamento diplomático com os Estados Unidos, Lula afirmou que o Brasil busca manter diálogo baseado no respeito mútuo e na valorização da democracia, do multilateralismo e da integridade territorial das nações.
Cooperação no combate ao crime
O presidente declarou ainda que o Brasil está disposto a cooperar internacionalmente no combate ao crime organizado, desde que as ações ocorram de forma conjunta e respeitando as competências de cada país.
Lula afirmou ter apresentado às autoridades norte-americanas informações sobre brasileiros procurados pela Justiça que estariam nos Estados Unidos e defendeu maior cooperação entre os dois países para localização e extradição de investigados ou condenados.
Segundo o presidente, o enfrentamento ao crime organizado exige atuação coordenada entre as nações e medidas tanto no Brasil quanto em território estrangeiro.







