Por: Iago Y. Seo
Um líder religioso da umbanda de 51 anos é alvo de investigação da Polícia Civil por crimes sexuais em Atibaia (SP). O homem identificado como T.P foi preso nesta tarde de quinta-feira, e passará por audiência de custódia nesta sexta-feira (13). A Polícia Civil apreendeu também o celular e o computador do suspeito. As acusações variam de importunação ofensiva ao pudor até crimes graves contra a dignidade sexual de mulheres que frequentavam o terreiro, como estupro.
Uma das vítimas de abuso teria sido a sobrinha de apenas 13 anos à época dos fatos, e a própria filha, hoje com 24 anos. Além dessa ocorrência, o Mais Bragança identificou outras duas denúncias contra o suspeito. A Polícia Civil reforçou que T. é alvo de outras denúncias por estupro. A identidade de todas as denunciantes será preservada pela reportagem.
A primeira denúncia
A autoridade policial formalizou o primeiro Boletim de Ocorrência (B.O.) envolvendo a menor no final de fevereiro, após o Conselho Tutelar reportar o relato da vítima, que atualmente passa por procedimentos de escuta protetiva. Segundo a Secretaria de Segurança Pública de São Paulo (SSP-SP), o caso foi registrado como estupro de vulnerável.
O cenário dos crimes investigados teria se concentrado entre os meses de agosto e novembro de 2022, quando a criança frequentava o imóvel de seu tio, localizado no Parque das Nações. De acordo com as informações apuradas pelo Mais Bragança, a menina precisou ficar na casa do tio, e, após o seu retorno, pessoas próximas da jovem notaram uma mudança drástica de temperamento comportamental. Ao retornar, ela passou a manifestar traços de agressividade persistentes durante a adolescência.
Diante da instabilidade, a menina precisou passar por um auxílio terapêutico em 2025. Foi no ambiente clínico, cerca de um ano após o início do acompanhamento especializado, que a adolescente tomou a iniciativa de romper o silêncio. Segundo o B.O., agora com 17 anos, a menina detalhou as investidas sexuais e as subsequentes ameaças proferidas pelo suspeito para garantir a impunidade.
Segundo relatos obtidos pela redação, o homem teria feito a menina assistir filmes pornográficos ao lado dele, e induzido-a realizar atos obscenos consigo mesma.
O conselho tutelar foi procurado pela redação, mas informou em nota que “denúncias recebidas são tratadas com sigilo conforme previsto no Estatuto da Criança e do Adolescente”.
A redação também tentou contato com T., mas não obteve retorno até a publicação desta matéria. O espaço aberto para eventuais réplicas.
Perfil do investigado e denúncias
O suspeito exerce a função de liderança em um terreiro de umbanda situado no Centro de Atibaia. Apesar da sobrinha não ser umbandista, fontes que não preferiram se identificar, afirmaram que o comportamento inadequado do homem poderia não ser um fato isolado, e que há relatos de condutas evasivas similares, direcionadas a outras mulheres que frequentavam o terreiro, ou eram conhecidas dele.
Além da denúncia envolvendo a menor, o Mais Bragança identificou outros dois Boletins de Ocorrência contra o líder religioso, um deles envolvendo a própria filha. A Delegacia de Polícia de Atibaia a orientou à procurar o programa Guardiã Maria da Penha, além do pedido de medida protetiva em desfavor do suspeito.
Em outra denúncia, uma outra mulher de 29 anos informou em depoimento que “o autor se aproveita da situação de manipulação espiritual para a prática de atos libidinosos”.
Além desses depoimentos apresentados à Polícia Civil, o Mais Bragança teve acesso à uma denúncia anônima, enviada ao Disque 100, que narra detalhes do modus operandi do suspeito, como os supostos abusos sexuais e comportamentos ilícitos que teriam ocorrido no interior de um centro religioso em Atibaia. De acordo com o relato obtido pelo portal, o ambiente, anteriormente visto como um local de acolhimento espiritual, tornou-se palco para investidas físicas indesejadas e comentários de teor libidinoso.
Os relatos indicam que o dirigente utilizava uma postura inicialmente descontraída para mascarar contatos inapropriados, como toques físicos nas frequentadoras, justificando-os como meras brincadeiras. Ainda segundo a denúncia, o homem costumava proferir convites para atos sexuais sussurrados ao ouvido das mulheres durante cumprimentos. Em outro trecho, é detalhado um episódio envolvendo toques indevidos em corpos nus de mulheres durante rituais de banhos de ervas.
Suspensão das atividades e investigação
Após a repercussão do caso, a instituição religiosa onde o suspeito atuava utilizou as plataformas digitais para comunicar a paralisação dos trabalhos.
Segundo o comunicado, “as atividades espirituais foram suspensas por tempo indeterminado”, alegando “motivos particulares” para o encerramento temporário do atendimento. O perfil oficial da casa de umbanda foi privado nas redes sociais.
A Polícia Civil segue com as oitivas para elucidar a extensão das acusações. Até a conclusão do inquérito, o homem ficará preso preventivamente.







