Uma Guarda Civil Municipal foi presa em flagrante na manhã desta sexta-feira (6), em Amparo (SP), durante o cumprimento de um mandado judicial de busca e apreensão realizado por policiais civis da Delegacia de Investigações Gerais e da Delegacia de Investigações sobre Entorpecentes (DIG/DISE) de Bragança Paulista.
A investigação apura a suspeita de armazenamento e comercialização de medicamentos emagrecedores de origem estrangeira, possivelmente introduzidos irregularmente no Brasil. A ordem judicial foi expedida pela 4ª Região Administrativa Judiciária (RAJ) de Campinas.
Segundo o registro policial, os investigadores receberam a informação de que a mulher estava em uma academia em Amparo. Ela foi localizada, informada sobre o mandado e acompanhou os policiais até sua residência, onde as buscas foram realizadas.
Durante a diligência, a investigada informou que mantinha medicamentos destinados ao emagrecimento e alegou que os produtos seriam para uso próprio. Sobre a arma de fogo, confirmou que havia um revólver calibre .38 no imóvel e declarou que o havia recebido por doação, mas ainda não tinha providenciado a regularização.
Ao todo, foram apreendidas 27 unidades de medicamentos e substâncias injetáveis, além da arma de fogo. Entre os produtos identificados estão 15 ampolas de tirzepatida de procedência paraguaia, uma ampola de retatrutida, cinco unidades de tesamorelina, uma ampola de GHK-Cu, duas de SLU-PP-332, uma de cagrilintida e duas ampolas de diluentes.
De acordo com a análise preliminar registrada no boletim de ocorrência, os produtos apresentavam diferentes situações regulatórias. Algumas substâncias são experimentais e não possuem aprovação para uso terapêutico humano. Outras tinham origem estrangeira e não apresentavam, até o momento, comprovação de regularidade sanitária e de importação no Brasil.
A tirzepatida, por exemplo, possui apresentações farmacêuticas com registro na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Entretanto, a existência de medicamentos registrados com esse princípio ativo não significa que qualquer marca ou apresentação estrangeira esteja automaticamente autorizada para comercialização no país.
A Polícia Civil também informou que a quantidade de produtos apreendidos será considerada na investigação para apurar a finalidade do armazenamento e eventual fornecimento ou comercialização a terceiros.
Além dos medicamentos, foi apreendido um revólver calibre .38 que, conforme o registro policial, não estava regularizado em nome da investigada.
Em razão da função exercida pela mulher e do vínculo profissional do marido, que é policial militar, representantes das corregedorias da Guarda Civil Municipal e da Polícia Militar acompanharam a ocorrência.
A investigada optou por permanecer em silêncio durante o interrogatório policial, reservando-se o direito de se manifestar somente em Juízo.
A autoridade policial determinou a prisão em flagrante pelos crimes de posse irregular de arma de fogo de uso permitido, crime contra a saúde pública e contrabando, com enquadramentos previstos na Lei nº 10.826/03 e nos artigos 273 e 334-A do Código Penal.
Após os procedimentos policiais, a mulher permaneceu à disposição da Justiça. Os produtos apreendidos poderão passar por análises técnicas para identificação da composição, procedência e regularidade sanitária.







