
O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), pretende articular a concessão de um indulto ou a aprovação de uma anistia para o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Segundo reportagem da Folha de S.Paulo publicada nesta quarta-feira (28), a iniciativa buscaria ampliar o apoio de parlamentares da direita à sua candidatura à reeleição para o comando do Senado em 2027.
De acordo com o jornal, a informação foi relatada por dois aliados de Alcolumbre. A articulação também teria como objetivo reduzir a pressão de parlamentares da oposição pelo impeachment de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), especialmente Alexandre de Moraes, relator do processo que levou à condenação de Bolsonaro por envolvimento na tentativa de golpe de Estado.
A reportagem afirma que Alcolumbre pretende negociar uma solução entre os Poderes em nome da pacificação política após as eleições presidenciais. O senador teria dito a aliados que aguardaria a repercussão do resultado eleitoral antes de procurar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para defender a concessão de um indulto humanitário ao ex-presidente.
O tema, no entanto, não teria sido discutido no encontro entre Lula e Alcolumbre realizado na segunda-feira (26), segundo as informações publicadas pelo jornal.
A concessão de indulto depende de decisão do presidente da República. Caso Lula não aceite a proposta, Alcolumbre teria sinalizado a parlamentares que poderia trabalhar pela aprovação de uma anistia no Congresso Nacional.
Nesse cenário, a medida dependeria de articulação política entre os parlamentares e poderia enfrentar resistência do governo. Um eventual projeto de anistia também estaria sujeito à análise do presidente da República, que poderia sancioná-lo ou vetá-lo.
Ainda segundo a reportagem, aliados de Alcolumbre consideram importante estabelecer limites para os efeitos de uma possível anistia, de modo que o benefício penal não resulte automaticamente na recuperação da elegibilidade de Bolsonaro.
A possível articulação ocorre em meio às movimentações para a eleição da presidência do Senado em 2027. Alcolumbre busca reunir apoio para permanecer no cargo por mais dois anos, enquanto setores da oposição defendem uma candidatura própria e mantêm a pressão sobre integrantes do STF.
Até o momento, conforme o relato apresentado pela Folha de S.Paulo, a iniciativa está em fase de articulação. Não há indicação de que tenha sido concluído um acordo formal entre Alcolumbre, Lula e representantes da direita.






