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Em carta aos católicos, Lula pede voto motivado “pela verdade”

Presidente defende escolha eleitoral baseada na fé, na consciência e na análise das propostas dos candidatos; documento foi divulgado na reta final da campanha para o segundo turno.

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Lula segura imagem de Nossa Senhora Aparecida Foto: EFE/Jarbas Oliveira
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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) divulgou uma carta direcionada aos católicos na qual pede que os eleitores considerem a própria fé, seus valores e a realidade social do país na escolha para o segundo turno das eleições, marcado para 25 de outubro de 2026.

O documento, datado de 12 de outubro, foi divulgado publicamente na terça-feira (20). Na mensagem, Lula defende que a decisão eleitoral leve em conta a trajetória dos candidatos, suas ações e as consequências de suas propostas para a sociedade.

“Peço que vocês examinem essa escolha à luz de sua consciência, de sua fé, de seus valores e, sobretudo, da realidade vivida por você e milhões de brasileiros”, escreveu o presidente.

Na carta, Lula afirma que a política não deve ser utilizada como instrumento de ódio, vingança ou privilégio, mas deve estar voltada às necessidades da população. O texto também menciona ações sociais relacionadas à transferência de renda, à valorização do salário mínimo, à geração de empregos e à ampliação do acesso à saúde, à educação, à alimentação e à moradia.

O presidente defende ainda um governo comprometido com a redução das desigualdades, a democracia e o respeito à liberdade religiosa e de consciência.

Ao final da mensagem, Lula pede que os eleitores avaliem os candidatos com base em suas trajetórias e propostas.

“Peço a vocês um voto motivado pela verdade, pelo respeito ao próximo e pela justiça. Peço um voto consciente”, afirma o documento.

Carta também foi direcionada aos evangélicos

A iniciativa faz parte da estratégia da campanha de Lula de dialogar com diferentes segmentos religiosos durante a reta final da disputa presidencial.

Em outra carta, direcionada aos evangélicos, o presidente abordou temas relacionados à família e mencionou propostas como o combate às apostas on-line, conhecidas como bets, e o fim da escala de trabalho 6×1.

Controvérsia sobre Nossa Senhora Aparecida

A disputa pelo voto católico também foi marcada pela circulação de informações falsas nas redes sociais envolvendo o candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) e Nossa Senhora Aparecida, padroeira do Brasil.

Publicações afirmavam que Flávio pretendia retirar o título de padroeira da santa caso fosse eleito. No entanto, a alegação não tinha fundamento. O projeto relacionado à retirada do título havia sido apresentado em 2007 pelo então deputado federal Victório Galli e arquivado em 2008, sem participação de Flávio Bolsonaro na proposta.

O candidato negou a intenção de promover uma medida desse tipo. O episódio ganhou repercussão durante a campanha e passou a integrar o debate político relacionado à influência da religião na escolha dos eleitores.

Confira, na íntegra, a carta de Lula aos católicos:

Queridas brasileiras e queridos brasileiros,

No dia 25 de outubro, teremos diante de nós uma escolha que ultrapassa nomes e partidos. Vamos decidir que projeto de país queremos construir e quais valores devem orientar o futuro do Brasil.

Peço que vocês examinem essa escolha à luz de sua consciência, de sua fé, de seus valores e, sobretudo, da realidade vivida por você e milhões de brasileiros.

A política não pode ser instrumento de ódio, vingança ou privilégio. Deve estar a serviço da vida. Governar é cuidar das pessoas, especialmente das que mais precisam para viver com dignidade.

Nos últimos anos, importantes políticas sociais demonstraram fazer diferença concreta na vida das famílias. Programas de transferência de renda, valorização do salário mínimo, geração de empregos, expansão do acesso à educação, à saúde e à alimentação, além de iniciativas voltadas à agricultura familiar e à moradia, contribuíram para reduzir a pobreza e ampliar oportunidades.

Não devemos aceitar que milhões de brasileiros voltem a vivenciar a fome, o desemprego, a falta de atendimento médico ou a impossibilidade de oferecer aos filhos uma educação de qualidade. O desenvolvimento de um país não se mede apenas pelo tamanho de sua economia, mas pela qualidade de vida de seu povo.

É preciso, portanto, termos um governo comprometido com a redução das desigualdades, a defesa da democracia, a proteção da família, o respeito à liberdade religiosa e de consciência, e com políticas capazes de assegurar trabalho, segurança, saúde, educação, moradia e alimentação.

No dia 25 de outubro, vote com o pensamento voltado para crianças que necessitam de escolas, pelos jovens que procuram oportunidades de trabalho e de futuro, por trabalhadores que querem emprego digno ou chance de ter o seu próprio negócio de sucesso, pelos nossos idosos que precisam de cuidados e afeto, por famílias que lutam para colocar comida na mesa e por todos aqueles que esperam do poder público não favores, e sim direitos assegurados.

Peço a vocês um voto motivado pela verdade, pelo respeito ao próximo e pela justiça. Peço um voto consciente. Um voto que leve em conta não apenas discursos, mas trajetórias; não apenas promessas, mas resultados e ações concretas que beneficiaram o povo; não apenas interesses individuais, mas o destino coletivo do Brasil.

Deus abençoe o Brasil e ilumine nossa consciência para que saibamos escolher o caminho que conduza a uma sociedade mais justa, solidária e fraterna.

Com amizade e confiança.