Bragança Paulista esteve entre as cidades onde a Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) cumpriu mandados durante a Operação Dark Spot, deflagrada na quinta-feira (30), para desarticular uma organização criminosa suspeita de comercializar informações sigilosas obtidas por meio de acessos irregulares a bases de dados públicas e privadas.
Ao todo, foram cumpridos quatro mandados de prisão — três preventivos e um temporário — e seis mandados de busca e apreensão nas cidades de Três Passos e Gravataí, no Rio Grande do Sul; Bragança Paulista, em São Paulo; e Casimiro de Abreu e Rio das Ostras, no Rio de Janeiro. A Justiça também determinou o bloqueio de até R$ 2 milhões em ativos financeiros e criptoativos dos investigados.
As investigações são conduzidas pela Delegacia Especial de Repressão aos Crimes Cibernéticos (DRCC), vinculada ao Departamento de Combate à Corrupção e ao Crime Organizado (Decor), da PCDF.
Segundo a polícia, o grupo operava uma plataforma digital que permitia consultas a informações protegidas por sigilo legal mediante pagamento. Entre os dados disponibilizados estavam informações cadastrais da Receita Federal, registros da Carteira Nacional de Habilitação (CNH), dados de veículos, processos judiciais e sistemas corporativos utilizados por órgãos de segurança pública.
De acordo com a investigação, os usuários adquiriam créditos por meio de transferências via Pix ou criptomoedas para realizar consultas. A plataforma também era divulgada por revendedores em redes sociais e aplicativos de mensagens.
Durante as apurações, policiais realizaram consultas de teste e confirmaram que os dados disponibilizados eram autênticos, incluindo informações de autoridades públicas do Distrito Federal.
A investigação apontou que a plataforma registrou mais de 18 milhões de consultas entre maio de 2023 e junho de 2024. Nesse período, foram identificados 45.134 cadastros, 7.242 usuários ativos e acessos originados de mais de 257 mil endereços de IP diferentes.
Segundo a PCDF, a organização mantinha uma estrutura tecnológica que permitia a continuidade das atividades mesmo após intervenções policiais. Sempre que havia bloqueios ou prisões, o grupo migrava os serviços para outros provedores, criava novos domínios, utilizava mecanismos de anonimização e substituía rapidamente integrantes presos.
As investigações também identificaram movimentação financeira superior a R$ 450 mil sem origem lícita comprovada entre dezembro de 2024 e março de 2025. A estimativa da polícia é de que a organização tivesse potencial para arrecadar mais de R$ 1 milhão por mês com a venda das consultas. Parte dos valores era movimentada por meio de criptomoedas e contas de terceiros e, segundo a apuração, teria sido utilizada na aquisição de bens registrados em nome de familiares.
Os investigados poderão responder pelos crimes de invasão de dispositivo informático qualificada, receptação qualificada, organização criminosa e lavagem de dinheiro. Somadas, as penas podem ultrapassar 46 anos de reclusão, conforme a legislação e os agravantes apontados pela investigação.
A Polícia Civil informou que as investigações continuam para identificar outros integrantes da organização, além de apurar quem fornecia acesso aos sistemas invadidos, localizar revendedores e identificar usuários da plataforma.







