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Lula diz que ‘nunca foi esquerdista’ em conversa no G7

Declaração foi feita durante conversa informal com a diretora-geral do FMI e o chanceler alemão na cúpula realizada na França.

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Foto: Ricardo Stuckert / PR
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Uma declaração do presidente Luiz Inácio Lula da Silva durante a cúpula do G7, realizada em Évian-les-Bains, na França, repercutiu nesta quarta-feira (17). Em conversa informal com a diretora-geral do Fundo Monetário Internacional (FMI), Kristalina Georgieva, e com o chanceler da Alemanha, Friedrich Merz, Lula afirmou que “nunca foi esquerdista” e defendeu que a maior parte dos governos ocupa uma posição política de centro.

O diálogo foi captado por sistemas de transmissão do evento e divulgado por veículos de imprensa internacionais. Ao comentar as transformações do cenário político global, o presidente afirmou que “o mundo não é de esquerda” e acrescentou que o caminho predominante entre os governos está no campo intermediário.

Durante a conversa, Georgieva recordou que, quando Lula assumiu a Presidência da República pela primeira vez, em 2003, havia a expectativa de que ele conduzisse um governo alinhado à esquerda. Em resposta, o presidente destacou sua trajetória no movimento sindical e negou essa definição política.

Lula afirmou que construiu relações com entidades sindicais de diversos países europeus e relembrou um episódio ocorrido em 1980. Segundo ele, após recusar um convite para participar de um congresso na então União Soviética, passou a ser rotulado por alguns setores como anticomunista.

Além da repercussão da declaração, a agenda oficial do presidente no G7 foi marcada por debates sobre tecnologia, economia global e relações internacionais. Durante um almoço de trabalho dedicado ao tema da inteligência artificial, Lula defendeu a regulamentação das plataformas digitais, argumentando que é necessário ampliar a proteção de crianças e adolescentes no ambiente virtual.

O presidente citou preocupações relacionadas à disseminação de discursos de ódio, exploração infantil, manipulação de imagens e violência contra mulheres nas redes sociais. Também destacou a necessidade de participação das grandes empresas de tecnologia na construção de mecanismos de proteção aos usuários.

No mesmo encontro, Lula mencionou iniciativas brasileiras voltadas ao ambiente digital e voltou a defender o Pix como uma ferramenta de inclusão financeira e modernização dos serviços de pagamento. Segundo ele, a experiência brasileira pode servir de referência para outros países.

O presidente também defendeu uma governança internacional para o desenvolvimento da inteligência artificial, com participação de organismos multilaterais, de forma a garantir que a tecnologia contribua para o fortalecimento da democracia e da soberania dos países.

Durante a programação do G7, Lula ainda se reuniu bilateralmente com o presidente do Egito, Abdel Fattah Al-Sisi, e com o presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky. Após o encontro, Zelensky afirmou nas redes sociais que a conversa abordou possíveis caminhos para o fim da guerra entre Rússia e Ucrânia e que ambos concordaram em manter o diálogo.

Em outra agenda do evento, Lula participou de discussões sobre crescimento econômico e desigualdades globais. O presidente defendeu a ampliação dos investimentos em infraestrutura e geração de empregos, argumentando que o desenvolvimento econômico deve estar associado à inclusão social.

O brasileiro também teve contatos rápidos com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Segundo integrantes da comitiva, os encontros ocorreram de maneira informal durante atividades do evento e não incluíram discussões sobre questões comerciais ou diplomáticas em andamento entre os dois países.