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Ex-atleta de Bragança integra equipe da FIFA na Copa do Mundo de 2026

Nascida em Bragança Paulista, Flávia construiu carreira no futebol nos EUA e na Europa e hoje atua na FIFA na organização da Copa do Mundo de 2026.

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FIFA - Foto: Divulgação/Arquivo pessoal
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Nascida em Bragança Paulista, Flávia iniciou sua trajetória no futebol ainda na infância, quando começou a treinar em clubes da cidade como o Clube de Regatas Bandeirantes (CRB), o São Lourenço e, posteriormente, o Bralec. Na época, em um cenário ainda marcado pela ausência de categorias femininas estruturadas, treinava em equipes masculinas.

Aos 13 anos, passou a integrar o futebol feminino do Legionário e também representou Bragança Paulista pela SEMGEL nos Jogos Regionais, onde conquistou medalha de bronze. Durante sua formação esportiva, teve contato com nomes conhecidos do esporte local, como Biro-Biro e Ítalo Gonçalves, além de treinadores e dirigentes como Luis Botão, que acompanharam seu desenvolvimento no futebol.

Aos 16 anos, Flávia deixou o Brasil após conquistar uma bolsa acadêmica e esportiva para estudar e jogar futebol nos Estados Unidos. A experiência no ensino médio marcou o início de uma trajetória de destaque, quando integrou uma equipe que, em 2014, alcançou o posto de time com mais vitórias no país.

O desempenho abriu caminho para o futebol universitário no estado de Indiana. Ao longo da graduação, Flávia conciliou uma rotina intensa de treinos e competições com os estudos em Comunicação. No período, disputou uma das ligas mais competitivas do esporte universitário norte-americano, conquistando dois títulos regionais e mantendo a equipe entre as dez melhores do país por dois anos consecutivos.

Time Professional – Foto: Divulgação/Arquivo pessoal

Após quatro anos de formação, formou-se em Comunicação e, em 2018, deu início à carreira profissional no futebol europeu, atuando na primeira divisão da Hungria. A trajetória, no entanto, foi interrompida por uma lesão no ligamento cruzado anterior (LCA), seguida pela paralisação do calendário esportivo durante a pandemia de Covid-19.

Com o fim do ciclo como atleta, Flávia passou a direcionar sua carreira para a área de comunicação e relações públicas, atuando em empresas multinacionais nos Estados Unidos.

Em 2024, ingressou na Federação Internacional de Futebol (FIFA), onde passou a integrar a equipe responsável pela organização da Copa do Mundo de 2026. Ela também participou da Copa Intercontinental de 2025 e do Mundial de Clubes de 2025, atuando nos bastidores de grandes eventos do futebol mundial.

Equipe da FIFA em 2025 – Foto: Divulgação/Arquivo pessoal

Durante uma visita recente a Bragança Paulista, Flávia retornou ao Legionário, clube onde iniciou sua trajetória, para participar de uma ação da campanha global “Football is for all” (O futebol é para todos), com a entrega de uma bola oficial da FIFA ao clube.

O momento, segundo ela, representou um ciclo que se completa: voltar ao ponto de partida e encontrar novas gerações vivendo o mesmo sonho que um dia foi o seu.

DICAS PARA JOVENS ATLETAS

Ao refletir sobre sua trajetória, Flávia destaca que o caminho do esporte, especialmente no exterior, exige mais do que talento dentro de campo.

O primeiro ponto, segundo ela, é a importância do chamado “duplo compromisso”: o equilíbrio entre estudos e esporte. Nos Estados Unidos, explica, o desempenho acadêmico não é separado da vida esportiva — ele determina diretamente a permanência do atleta em campo. “A disciplina que você constrói na sala de aula aparece dentro do jogo”, resume.

Outro aspecto central é a resiliência. A mudança de país, idioma e cultura, somada à pressão por desempenho, exige adaptação constante. Para ela, não se trata de grandes momentos de superação, mas da consistência diária em ambientes desafiadores.

Flávia também reforça a importância de não limitar a identidade ao esporte. Durante sua formação, buscou experiências fora dos gramados, como voluntariado nos Jogos Olímpicos do Rio 2016 e estágios na área de comunicação. Essa ampliação de perspectivas, afirma, foi fundamental para a transição de carreira após o fim da trajetória como atleta.

“Quando precisei mudar de rota, eu já tinha outras bases para continuar”, resume.

Para jovens que sonham em jogar futebol universitário no exterior, Flávia afirma que o caminho é possível, mas exige planejamento, disciplina e abertura para experiências além do esporte.

Anos depois de iniciar a trajetória nos campos de Bragança Paulista, ela hoje integra a equipe da FIFA responsável pela Copa do Mundo de 2026, em uma carreira construída entre o esporte, os estudos e a comunicação.