Com uma produção anual estimada em 600 toneladas de café e movimentando cerca de R$ 9 milhões, o setor cafeeiro de Bragança Paulista enfrenta um momento delicado diante da nova política comercial dos Estados Unidos. O chamado “tarifaço de Trump”, que impõe uma taxa de 50% sobre a exportação do produto brasileiro, entra oficialmente em vigor no dia 6 de agosto, mas seus efeitos já começaram a ser sentidos pelos produtores da região.
O município concentra aproximadamente 30 produtores de café, majoritariamente de pequeno e médio porte. Muitos deles têm nos EUA seu principal mercado comprador — destino de mais da metade do café exportado — o que torna o cenário ainda mais preocupante.
Para o produtor José Oscar Ferreira Cintra, o aumento da tarifa representa um grande obstáculo num período estratégico para o setor.
“Esse é o momento em que o cafeicultor precisa de receita para dar continuidade ao trabalho. A próxima safra depende desse fôlego financeiro. A tarifa chega como um golpe muito duro”, disse ele, em entrevista à TV Vanguarda.
Diante das dificuldades, a recomendação entre os produtores tem sido aguardar os próximos desdobramentos no cenário internacional e, paralelamente, buscar novos compradores em larga escala.
🌱 Café como vetor de turismo rural
Para tentar mitigar os impactos e diversificar as fontes de renda, o setor agrícola local vem discutindo alternativas. Nesta quarta-feira (30), durante reunião do Conselho Municipal de Agricultura, lideranças debateram propostas para fortalecer o café como atrativo turístico, aproveitando o potencial histórico e cultural da produção regional.
Segundo o secretário municipal de Agronegócios, Leonardo Godoi Paes, a Rota do Café é uma aposta promissora:
“As propriedades aqui são históricas, acolhedoras e contam a história do café e da própria cidade. Esse tipo de turismo tem crescido e pode ser um caminho importante para gerar receita e visibilidade ao setor”, afirma.
🌍 Brasil segue líder global, mas negociações são necessárias
Apesar do impacto negativo, o Brasil continua como o maior produtor e exportador de café do mundo, com forte presença no mercado norte-americano. O setor busca agora articulações para negociar a redução ou flexibilização da tarifa.
De acordo com Marcos Matos, diretor-geral do Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé), a presença brasileira nos EUA é estratégica:
“O Brasil responde por 33% do mercado norte-americano. É um país insubstituível, assim como os Estados Unidos são para nós. A Colômbia, por exemplo, representa 20%, mas já esgotou seus estoques. A demanda permanece, e seguimos sendo fundamentais para esse comércio.”
Enquanto isso, os cafeicultores de Bragança seguem buscando alternativas — tanto no campo quanto no mercado — para manter viva uma das tradições mais fortes da região.







