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Conheça o policial bragantino que desarticulou estrutura financeira ligada à Cracolândia

Fernando Miranda afirma que investigação concentrou esforços na cadeia econômica do esquema, com foco em ferros-velhos, empresas, hotéis e na estrutura de vigilância instalada na Favela do Moinho

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Reprodução YouTube / Sbt True Crims
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O trabalho de inteligência que antecedeu a dispersão do chamado fluxo da Cracolândia, no centro de São Paulo, concentrou-se na identificação e no enfraquecimento da estrutura econômica que sustentava atividades criminosas na região, segundo relato do inspetor da Polícia Rodoviária Federal (PRF) Fernando Miranda. 

Bragantino, o policial participou do podcast True Crime e detalhou a atuação integrada que, de acordo com ele, envolveu o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) e outros órgãos públicos.

Miranda sustenta que o tráfico de drogas representava apenas uma parcela da dinâmica criminosa observada na área. Na avaliação apresentada durante a entrevista, parte significativa da movimentação financeira estava associada a ferros-velhos clandestinos, utilizados dentro de uma cadeia de coleta e comercialização de materiais recicláveis.

Segundo o inspetor, a investigação identificou movimentações financeiras atípicas que, somadas, chegaram a cerca de R$ 500 milhões. Ele afirmou ainda que usuários de drogas eram empregados na coleta de sucatas em condições que classificou como análogas à escravidão. As informações correspondem ao relato do policial durante a entrevista.

“O tráfico de droga é o menor dos problemas ali do centro de São Paulo”, afirmou Miranda ao abordar o peso econômico das atividades paralelas existentes na região.

De acordo com ele, o consumo de álcool também integrava a dinâmica de submissão de pessoas em situação de dependência, que posteriormente eram direcionadas à coleta e ao transporte de materiais destinados aos estabelecimentos clandestinos.

Favela do Moinho aparece como ponto central da investigação

A Favela do Moinho, também na região central da capital paulista, foi descrita por Miranda como um núcleo operacional da estrutura investigada. Segundo o inspetor, o território possuía mecanismos próprios de vigilância, comunicação e controle de acesso, o que dificultava a aproximação das equipes responsáveis pelo levantamento de inteligência.

O policial citou um homem identificado como Léo do Moinho como responsável pela condução da estrutura investigada, embora, segundo seu relato, ele residisse na Praia Grande, no litoral paulista.

Miranda afirmou que os investigadores localizaram aproximadamente 200 CNPJs ativos relacionados a atividades de reciclagem. A apuração policial, segundo ele, buscou verificar como empresas formalmente constituídas poderiam funcionar dentro de uma engrenagem econômica que também envolvia estabelecimentos clandestinos e empresas de fachada.

“Nós identificamos 200 CNPJs ativos de empresas com atividade econômica, tudo de reciclado”, disse o inspetor.

O relato também menciona o uso de mecanismos formais, inclusive benefícios tributários, por empresas inseridas na cadeia investigada. Miranda apresentou esses elementos como parte da estratégia utilizada para conferir aparência regular às operações financeiras.

Rádios e vigilância dificultavam aproximação policial

O sistema de comunicação utilizado na Favela do Moinho estava entre os obstáculos enfrentados pelos investigadores, segundo Miranda. A estrutura recorria a rádios comunicadores de curto alcance e modificava periodicamente as frequências utilizadas, o que reduzia a possibilidade de interceptação a distância.

De acordo com o inspetor, a rede possuía ainda pontos permanentes de observação no entorno da comunidade. Pessoas e veículos desconhecidos eram comunicados aos demais integrantes por meio dos rádios, inclusive com códigos utilizados para indicar movimentações consideradas suspeitas.

O alcance restrito dos equipamentos obrigou as equipes de inteligência a se aproximarem fisicamente do território para compreender a lógica de comunicação e segurança interna. Miranda também relatou a existência de infraestrutura própria de internet e de sistemas destinados ao acompanhamento de frequências utilizadas por autoridades, entre elas a Polícia Militar.

Operação priorizou estrutura econômica

Miranda atribuiu o resultado da operação a uma estratégia de atuação concomitante sobre diferentes pontos de sustentação do esquema investigado. Em vez de concentrar as ações exclusivamente no comércio de drogas, os órgãos envolvidos passaram a fiscalizar estabelecimentos, empresas, hotéis, ferros-velhos e imóveis relacionados à dinâmica local.

“Se você atira num pilar, você não implode o prédio. Uma coluna não derruba. Você tem que bater em todas as colunas diferentes”, afirmou ao explicar a lógica da atuação integrada.

O inspetor também citou fiscalizações sanitárias e prediais como instrumentos utilizados durante as ações. Segundo ele, o cumprimento de normas administrativas contribuiu para interromper atividades que permaneciam em funcionamento na região.

“Bastava ali um trabalho da vigilância sanitária, uma fiscalização predial e aquilo deixou de existir”, declarou.

Na avaliação apresentada durante a entrevista, a desarticulação financeira e logística foi determinante para atingir a estrutura investigada. O método descrito por Miranda envolveu a identificação dos diferentes elos econômicos e operacionais que, segundo ele, mantinham o esquema em funcionamento no centro de São Paulo.