A liberdade religiosa, o respeito às diferentes crenças e o combate à intolerância foram temas da audiência pública “Bragança Paulista de Todas as Fés”, realizada na noite de quarta-feira (21), no teatro do Centro Cultural Prefeito Jesus Adib Abi Chedid, em Bragança Paulista.
O encontro reuniu lideranças religiosas, autoridades e representantes da sociedade civil para discutir propostas de enfrentamento à discriminação religiosa e a garantia do direito de cada pessoa exercer livremente sua fé ou convicção.
A audiência teve como objetivo debater a implementação do Fórum Inter-Religioso Municipal para uma Cultura de Paz e Liberdade de Crença, criado pela Lei nº 5.171, de 3 de setembro de 2026, sancionada pelo prefeito Edmir Chedid. A proposta prevê a articulação entre poder público, instituições religiosas e sociedade para promover o respeito às diferenças e a convivência pacífica.
Participaram representantes da Igreja Católica, de igrejas evangélicas, do espiritismo, de religiões de matriz africana, do islamismo, do budismo e de outras tradições. A iniciativa também contempla pessoas sem religião, agnósticas e ateias, com a previsão de respeito às diferentes convicções.
Autoridades e representantes presentes
O Executivo Municipal foi representado pela chefe de Gabinete, Ruzibel Sena de Carvalho, que participou em nome do prefeito em exercício, Sebastião Garcia Amaral, conhecido como Tião do Fórum. Também esteve presente a secretária municipal de Assuntos Jurídicos, Thaís de Almeida Miana, responsável pela condução dos trabalhos, além de outros secretários municipais.
Entre os representantes de instituições estavam Gustavo Hermenegildo de Oliveira Risi, presidente da 16ª Subseção da OAB de Bragança Paulista; Paula Moutinho, presidente da Comissão Especial de Liberdade Religiosa da OAB Seccional São Paulo; e Vania Maria da Silva Soares, secretária executiva, presidente do Comitê Gestor e coordenadora do Fórum Inter-Religioso para uma Cultura de Paz do Estado de São Paulo.
Também participaram Maísa Cristina Ferreira Costa, da Secretaria de Justiça e Cidadania do Estado de São Paulo; Edson Ferreira, da Secretaria de Negócios Jurídicos de Itatiba e presidente da Associação de Pastores de Itatiba; e Gabriela Melo, presidente da Comissão de Direitos Humanos de Bragança Paulista.
O Legislativo Municipal esteve representado pela presidente em exercício da Câmara, vereadora Missionária Pokaia, e pelos vereadores Bruno Leme e Gabriel Curió.
Entre as lideranças religiosas estavam o bispo diocesano Dom Sérgio Aparecido Colombo; o padre José Antonio Boareto, assessor diocesano para o diálogo inter-religioso e o ecumenismo; Severino Ferreira da Silva, conhecido como Pai Bill de Xangô, da ABUC; Neuza de Camargo Silva, presidente da Casa da Benção, mantenedora da Ação Social Espírita; Sheikh Hosnir Pereira Simões Badawi, vice-presidente da Associação Islâmica Sunita de Botucatu; e Rosi Ribeiro Ryozen, presidente da Associação Zen Budista Taikanji.
Também participaram Pai Willian de Oxóssi, do Templo Escola Canto do Sete Sete, de Mairiporã; Iyá Tania, presidente da Associação Cultural Afro-Brasileira e representante do terreiro Ilê Egbé Alaketú Oyá Alagbará, de Franco da Rocha; Felipe Salles Monteiro, sacerdote de Kimbanda e presidente do Coletivo de Palmares; e o pastor Vagner Roberto Salvador, representante do Conselho de Pastores.
Manifestações destacam respeito e diálogo
Durante a audiência, Ruzibel Sena de Carvalho transmitiu uma mensagem do prefeito Edmir Chedid sobre a importância de respeitar todas as pessoas, independentemente de suas crenças.
“Cada pessoa tem sua fé, sua crença, sua maneira de enxergar o mundo. E todas merecem o mesmo respeito”, afirmou.
A chefe de Gabinete também destacou a participação das diferentes comunidades na construção de uma cidade com menos preconceito e mais união.
O bispo Dom Sérgio Aparecido Colombo avaliou que a audiência permite aproximar pessoas com diferentes formas de vivenciar a espiritualidade. “Eu creio que é um momento de comunhão, para usar uma linguagem assim que é bem compreensível, de participação, onde as pessoas podem se ver representadas”, declarou.
Representando as religiões de matriz africana, Severino Ferreira da Silva, conhecido como Pai Bill, considerou a iniciativa um avanço na aproximação entre as comunidades e o poder público. Ele destacou a importância de assegurar tratamento igualitário às religiões e condições para que suas tradições sejam exercidas e divulgadas.
O pastor Vagner Roberto Salvador também ressaltou a importância do espaço de participação. “Eu acredito que é uma oportunidade, um espaço para que todos possam fazer realmente as suas colocações”, afirmou.
Fórum deverá promover ações contra a intolerância
O Fórum Inter-Religioso Municipal terá caráter plural, democrático e não confessional. A proposta prevê a participação de representantes de tradições religiosas, pessoas com diferentes convicções filosóficas, agnósticos, ateus e integrantes do poder público, respeitando o caráter laico do Estado.
Entre as atribuições previstas estão a realização de debates, campanhas de conscientização, atividades culturais e ações educativas. O Fórum também poderá receber denúncias de discriminação religiosa, encaminhá-las aos órgãos competentes e reunir informações para orientar medidas de prevenção e enfrentamento à intolerância.
A secretária municipal de Assuntos Jurídicos, Thaís de Almeida Miana, destacou a importância da participação das lideranças religiosas e da população na aplicação da legislação. Entre os pontos discutidos estiveram a organização e o funcionamento do Fórum, que deverá elaborar seu próprio regimento interno e poderá firmar parcerias com instituições públicas e organizações da sociedade civil.
Proposta surgiu após episódios de intolerância
O vereador Bruno Leme, autor do projeto que deu origem ao programa municipal “Bragança Paulista de Todas as Fés”, explicou que a iniciativa surgiu após episódios de intolerância religiosa nas redes sociais relacionados à lavagem das escadarias de Nossa Senhora do Rosário dos Pretos.
Segundo o parlamentar, o contato com a Secretaria de Justiça e Cidadania do Estado de São Paulo contribuiu para ampliar o debate e estimular a criação do Fórum Inter-Religioso Municipal, além de estabelecer uma ligação com a instância estadual.
“A cultura de paz exige muito esforço, mas ela é possível, e a gente sempre tem que acreditar que é possível”, afirmou.
A programação incluiu exposições sobre liberdade religiosa, direitos constitucionais, convivência democrática e mecanismos de enfrentamento à discriminação, com contribuições da OAB e de representantes do Fórum Inter-Religioso do Estado de São Paulo.
As lideranças religiosas e os demais participantes puderam apresentar experiências, necessidades e sugestões. As contribuições deverão subsidiar os próximos encaminhamentos sobre a organização e o funcionamento do Fórum, incluindo a participação dos diferentes segmentos e o desenvolvimento de ações conjuntas com instituições e órgãos públicos.







