O senador e candidato do PL à Presidência da República, Flávio Bolsonaro, anunciou nesta terça-feira (13) que votará a favor do fim da escala 6×1, enquanto o Senado se prepara para iniciar a votação da proposta nesta quarta-feira. A manifestação ocorreu após uma visita ao ex-presidente Jair Bolsonaro, pai do parlamentar, que está em prisão domiciliar.
Flávio afirmou que a posição foi tomada a partir do contato com trabalhadores durante viagens pelo País. Embora tenha declarado apoio ao encerramento da jornada baseada em seis dias trabalhados para um de descanso, o candidato defendeu um modelo que amplie a autonomia dos empregados na definição da própria escala.
“Eu estou rodando o Brasil. A maioria dos trabalhadores querem o fim da 6×1. Vou votar a favor do fim da 6×1, mas a gente defende algo ainda melhor, sempre”, afirmou.
Segundo Flávio, a proposta defendida por ele incluiria maior liberdade para que cada trabalhador pudesse organizar a jornada conforme as características da própria atividade, incluindo modalidades como o trabalho remoto. O senador também declarou que o governo deverá assumir uma compensação decorrente do encerramento da escala.
“Governo bancará compensação pelo fim da 6×1, empresariado está apurado”, disse.
Governo tenta acelerar votação no Senado
A manifestação de Flávio ocorre no momento em que a base do governo Lula articula uma mudança no calendário de tramitação da PEC para permitir que os dois turnos de votação ocorram no mesmo dia. O objetivo é concluir a análise da proposta antes do segundo turno das eleições, marcado para 25 de outubro.
O presidente do Senado, Davi Alcolumbre, programou para quarta-feira a primeira votação do texto. Antes disso, o plenário realiza, entre terça e quarta-feira, as duas últimas sessões de discussão previstas nesta fase da tramitação.
Pelo rito regular, após a aprovação em primeiro turno, o Senado precisa respeitar um intervalo de cinco dias úteis e realizar outras três sessões de discussão antes de submeter uma PEC à segunda votação.
Flávio volta a visitar Jair Bolsonaro após suspensão
A declaração do candidato ocorreu depois de uma visita a Jair Bolsonaro, autorizada na segunda-feira (12) pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). O encontro marcou a retomada das visitas de Flávio ao pai após um período de três meses de suspensão.
Moraes acolheu um pedido apresentado pela defesa do ex-presidente em 5 de outubro, depois do encerramento dos 90 dias de restrição impostos em julho.
A medida havia sido determinada após Flávio utilizar uma visita para retirar uma carta escrita pelo pai e posteriormente divulgá-la nas redes sociais. O episódio foi considerado incompatível com as cautelares impostas a Jair Bolsonaro no processo relacionado à condenação por tentativa de golpe de Estado.
No documento publicado à época, o ex-presidente manifestava apoio à candidatura do filho.
Com o fim da suspensão, os encontros voltam a obedecer aos horários e às condições anteriormente estabelecidos. Moraes, contudo, manteve a vedação ao uso das visitas para finalidade político-eleitoral, assim como a proibição da divulgação de manifestos ou declarações de Jair Bolsonaro, inclusive por intermédio de terceiros.
Flávio chegou ao condomínio Solar de Brasília sob escolta policial e não abriu os vidros do veículo para conversar com jornalistas.







